TRANSTORNOS MAIS COMUNS ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM IDADE ESCOLAR
18 de novembro de 2019

DEPRESSÃO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Engana-se quem pensa que depressão é coisa só de gente grande. Na infância e adolescência pode se manifestar sob a forma de problemas para dormir, dores constantes sem explicação, melancolia ou até excesso de agressividade, tristeza intensa (humor depressivo), falta de interesse e prazer pelas atividades que habitualmente executava (anedonia), cansaço fácil, dificuldades de concentração e ideias de desvalia associadas a inquietação.

Junto com esses sintomas podemos observar também, e com alguma frequência, sintomas físicos tais como dores de cabeça e de estômago. Porém, talvez o sinal que mais chama a atenção da família é um humor irritado, chamado pelos especialistas de disforia, e que se percebe pela mudança do comportamento. Ou seja, aquela criança boazinha e educada se transforma, sem motivo aparente, numa criança irritada, respondona.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a depressão atinge quase 20% da população brasileira – sendo que os índices entre crianças e adolescentes variam de 1% a 5%. Isso significa que ela pode estar atingindo mais de 8 milhões de crianças no país – número que vem aumentando a cada ano. Associada a fatores que vão desde a predisposição genética (a chance de que os filhos sejam depressivos é quatro vezes maior nas famílias em que pai e mãe apresentam a doença) até a experiência de episódios traumáticos no ambiente familiar. É fundamental que os pais fiquem atentos a mudanças bruscas de comportamento, sejam elas de excitação em excesso, diminuição na vontade de brincar e até baixa no rendimento escolar. Conforme a publicação Mapa da Violência, que se baseia em dados coletados pelo Ministério da Saúde, as faixas em que as taxas de suicídio mais cresceram no Brasil, entre 2002 e 2012, foram as dos 10 aos 14 anos (40%) e dos 15 aos 19 anos (33,5%).De acordo com os registros existentes no Centro de Informações Toxicológicas (CIT), 4.658 crianças e adolescentes gaúchos tentaram se matar, apenas por autointoxicação, entre 2005 e 2013.

 Como muitos desses sintomas podem ser confundidos com birra ou mau humor – típicos da idade -, é preciso verificar o tempo que perduram. Se forem recorrentes e persistirem por mais de duas semanas, talvez seja hora de procurar a ajuda de um profissional. Os transtornos psicológicos da infância podem ser acionados por diversos gatilhos – como experiências frustrantes que a criança tenha enfrentado e bullying na escola, cobranças excessivas por desempenhos que estão acima das capacidades das crianças, mesmo que sejam temporárias, podem criar a ideia de que elas são menos capazes. O diagnóstico de depressão  na infância e na adolescência não é  fácil, exigindo do especialista bastante experiência e, muitas vezes,  exames laboratoriais, uma vez que muitas outras condições médicas podem mimetizar o quadro.

Da mesma maneira que não podemos deixar de considerar o período de desenvolvimento em que a criança se encontra, bem como as situações de vida que ela atravessa, não podemos deixar de excluir outras patologias psiquiátricas como esquizofrenia, também de difícil diagnóstico na criança.

 Finalmente, não tenha medo. Embora muitas vezes a depressão em crianças e adolescentes possa ser recorrente, ou seja, ocorrerem vários episódios, ela é passível de tratamento e seu filho poderá ter, desde que tratado, uma vida completamente normal, sem nenhum prejuízo em sua trajetória de vida. Portanto, qualquer dúvida, procure um especialista.

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